quinta-feira, 21 de outubro de 2010


 O que fazemos vs O que nos acontece

O que fazemos…

O que fazemos faz parte da intenção da pessoa, queríamos que aquela acção se realizasse. O que fazemos está dividido:
  • ·         O que fazemos voluntariamente;
  • ·         O que fazemos involuntariamente.
 
O que fazemos voluntariamente, é quando realizamos uma acção que pretendíamos realizar por iniciativa própria, por exemplo, ligar a televisão. O que fazemos involuntariamente, é quando realizamos uma acção, sem pretender que essa acção fosse realizada, por exemplo, ficar com sono. 

Andar de bicicleta é algo que fazemos.
 
 












O que nos acontece…

O que nos acontece não faz parte da intenção da pessoa, não sabíamos que aquela acção ia ser realizada. O que nos acontece é impossível de prever, não sabemos o que nos vai acontecer.

Cair de bicicleta é algo que nos acontece.

 












Actos do Homem vs Actos Humanos

Actos do Homem - São algo que fazemos ou que nos acontece sem termos desejado. Fazemos esses actos inconscientemente, não são decisões voluntárias.

Características dos Actos do Homem:
  • ·       São reacções a estímulos do meio;
  • ·         O   homem não consegue controlar esses actos. 
Exemplos de Actos do Homem:
  • ·        Respirar;
  • ·         Fazer a digestão;
  • ·         Tremer de frio;                           
  • ·         Estender os braços numa queda;   
  • ·         Espirrar.















Actos HumanosSão realizados de forma voluntária e consciente. São actos intencionais que pretendemos realizar e há uma razão para os fazermos, têm um objectivo.

Características dos Actos Humanos:
  • ·         Têm um motivo para serem realizados;
  • ·         Quem os realiza tem essa intenção;
  • ·         São controlados pela pessoa que os realiza;
  • ·         Têm uma finalidade.
Exemplos de Actos Humanos:
  • ·         Escrever;
  • ·         Ligar a televisão;
  • ·         Ler;
  • ·         Ir ao médico. 





 

A Acção Humana

O QUE NOS ACONTECE / O QUE FAZEMOS
  • O que nos acontece associa-se à voz passiva, limitando-se a suportar os efeitos de algo que é produzido sem sermos nós os autores ou causas da acção;
  • O que fazemos associa-se à voz activa,o que pressupõe que desejamos nós a tomar a iniciativa, sentindo-nos autores ou causas da acção - O SUJEITO PRATICA A ACÇÃO.


Andar de carro é uma coisa que fazemos.











Furar o pneu é uma coisa que acontece.











Assim, somos actores relativamente ao que fazemos e somos receptores relativamente ao que nos acontece.


ACTOS VOLUNTÁRIOS / ACTOS INVOLUNTÁRIOS

Nas coisas que realizamos temos que distinguir aquelas que fazemos voluntariamente e aquelas que fazemos involuntariamente.
Actos voluntários são aqueles que implicam vontade e intenção:
 










Cantar



Actos involuntários são aqueles que nos escapam à vontade:









Espirrar



Para designar os actos realizados voluntária e intencionalmente, a filosofia reserva a expressão actos humanos, distinguindo-se dos involuntários, a que chama actos do homem.

domingo, 17 de outubro de 2010

Resposta à pergunta 4 da página 51 do manual - "O que dirias a um amigo para lhe explicar o que é a filosofia?"

Amigo: O que é a filosofia?

Eu: A sua origem etimológica provem da junção de palavras “philos” + “Sophia”, o que significa amigo da sabedoria. Filosofia é uma ciência que engloba todas as outras, mas que se diferencia das demais ciências pelo facto do constante uso do pensamento e não apenas da observação e da experiência.

Amigo: Como assim?.. Engloba todas as outras? Quem estuda? Como estuda?

Eu: A Filosofia, tal como acabaste de o demonstrar é uma ciência que se baseia na crítica construtiva e que origina imensas perguntas. De facto, o conceito de Filosofia é muito difícil de explicar. Quem a estuda são os filósofos, que possuem a capacidade de se espantar com determinadas coisas que ao senso comum já não despertam tanta atenção, como por exemplo o uso dos telemóveis, sem sequer pensarmos como será ele construído. Os filósofos apoiam-se na crítica a diversas opiniões, tanto pessoais como já existentes, com o uso de argumentos, indispensáveis para defender as suas ideias e mostrar ao Mundo que este pode não ser como realmente o vemos, ou seja, nem sempre a nossa percepção de tudo o que nos rodeia é verdadeira. Assim, todos estamos ligados à Filosofia, mas é importante destacar que nem todas as críticas estão ligadas à Filosofia. As questões que os filósofos fazem a si mesmos têm que ter uma lógica e serem realmente de grande importância. Como estudam? Bem… o processo de estudo é bastante demorado, e, em grande parte das tentativas, as suas questões e argumentos deixam de fazer sentido, mas um verdadeiro filósofo, ao contrário de um sábio que se considera uma pessoa superior às outras, é humilde e admite que não sabe tudo, logo os esforços dos seus estudos nunca são em vão, pois alcançam sempre mais um pouco de sabedoria. Filosofar é ter gosto por aprender constantemente.

Amigo: Falas-me tu em criticar e ser humilde… Então mas se dizem mal de tudo como os podemos considerar humildes?

Eu: Ter espírito crítico não significa dizer mal dos outros ou das suas ideias, significa, isso sim, ouvir, reflectir e obter a sua ideia própria, seja ela oposta ao outro ou semelhante. Quando dizes que aquele aluno é inteligente estás a fazer uma crítica, mas é uma crítica positiva. Ou seja, as críticas não têm que ser negativas, mas sempre construtivas. Entendes?

Amigo: Ah! Agora já entendo… Isso da Filosofia parece-me ser bastante positivo. Como posso ser um filósofo?

Eu: Calma, a Filosofia é muito vasta, e tu ainda agora começaste. Todos nós somos ainda aprendizes, no entanto, é importante que comeces com a nossa idade a procurar perceber o porquê do mundo que nos rodeia. Na nossa idade começamos a desenvolver o nosso espírito crítico, e é por isso que dizem que nesta idade pensamos que sabemos tudo e não aceitamos a opinião dos outros, como se só nós tivéssemos a razão.

Amigo: Ah! Que bom, realmente isto da Filosofia tem muito que se lhe diga.

Eu: Tal como diria René Descartes, “ Penso, logo existo. Filosofar é mais necessário para regular os nossos costumes e nos conduzir nesta vida do que usar os nossos olhos para guiarem os nossos passos”, ou seja, a Filosofia ajuda-nos a reflectir e a perceber que devemos defender as nossas ideias, mas temos que respeitar os outros e ser humildes, percebendo que nem sempre temos razão e que as nossas próprias ideias poderão ser repensadas e melhoradas para algo melhor ao longo do tempo, pois à medida que o nosso conhecimento aumenta, nos vamos apercebendo que pouco sabemos e que temos muito que aprender. E assim não estaremos presos e deixaremos de ser tão ignorantes, expondo as nossas ideias. E não te esqueças… usando sempre argumentos lógicos que fundamentem o nosso raciocínio. 

O que é a Filosofia? - Resposta

EU-Etimologicamente Filosofia significa amigo, aquele que deseja, busca, ama a sabedoria, o saber, o conhecimento.
Como René Descartes opina: «Ora viver sem filosofia é ter os olhos fechados sem se esforçar nunca por os abrir». Ter os olhos fechados é nunca questionar aquilo que está à nossa volta, é seguir o que os outros dizem sem comentar, é pensar pela cabeça de outrem sem pôr a nossa cabeça a trabalhar, é caminhar sem parar, sem perceber a caminhada e o seu porquê. Ter os olhos fechados é ser malandro, preguiçoso por não os querer abrir e usá-los para olhar á nossa volta, preferindo utilizar os olhos dos outros. Ter os olhos fechados é ser ignorante, na minha opinião.
AMIGO-("...não ver aquilo que está à nossa volta!... René Descartes...") Continua!...
EU-Para Bertrand Russel viver sem filosofia é «viver preso aos preconceitos derivados do senso comum. (...) O mundo tende a tornar-se definido, finito,óbvio,os objectivos vulgares não levantam quaisquer questões ...». A Filosofia leva-nos a aceitar aquilo que é diferente e a fugir do senso comum, a alargar os nossos pensamentos,a criticar as teorias do nosso quotidiano, os princípios usados na ciência e a eliminar os aspectos maliciosos de um discurso.
A Filosofia duvida e questiona aquilo que parece ser óbvio no nosso dia-a-dia e que ninguém tende em ligar. A Filosofia critica aquilo que por muitos é considerado verdadeiro e que o Homem por mais que o estude e investigue não o consegue mudar.
A Filosofia ensina-nos a não seguir o rebanho, a questionar tudo aquilo que vemos, a admirar acima de tudo, pois, ao admirar queremos saber a origem das nossas questões e durante uma busca de uma resposta a uma questão outras questões surgiram (fecundidade da dúvida) e a nossa bagagem do conhecimento fica cada vez mais recheada.
A Filosofia leva-nos a pensar no abstrato e a questionar cada vez mais. Ensina-nos a aceitar críticas e opiniões desde que sejam bem fundamentadas como também nos ensina a termos humildade intelectual («Só sei que nada sei» - frase emblemática atribuída a Sócrates).
AMIGO-Bem a Filosofia é muito mais do que aquilo que eu pensava!
EU-Filosofia ainda é mais do que aquilo que eu disse meu!